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Publicado há 10:18 | Atualizado em 12/02/18 às 10:02

Taió 69 anos, a origem do nome

“Bravos homens ilustres pioneiros nesta terra vieram pousar”. O trecho da letra do hino do município de Taió, SC, mostra parte da história dos imigrantes que construíram a cidade. A cidade esconde uma versão pouco conhecida da história. No Museu Paleoarqueológico está a comprovação de que aqui já foi mar. Amostras de fósseis daqui são similares aos existentes na Austrália, com cerca de 280 milhões de anos.

Os primeiros colonizadores que fixaram residência aqui eram fugitivos da Guerra do Contestado, que desceram a serra. Na mesma época, colonizadores italianos e alemães subiram o Vale rio acima no século 20.

O nome da cidade de Taió tem algumas vertentes que se popularizaram, mas o estudo do historiador Lino João Dell’ Antônio é sem dúvida a mais convincente para definição oficial.

O estudo, que foi transformado em livro, levou mais de 30 anos para ficar pronto. O livro “Nomes Indígenas dos municípios catarinenses – Significado e Origem” de 89 cidades do estado de Santa Catarina que tem significado e origem indígena.

Dell’ Antônio percorreu as cidades do estado, traduziu livros de antigos historiadores espanhóis, visitou bibliotecas e estudou diversas línguas indígenas e concluiu que “Taió” significa: pedras soltas.

O nome deriva dos sufixos: Ta = pedra, i = há (haver) 0 = desgarrar, soltas. Possivelmente o nome é relacionado aos paredões de pedras como no Passo Manso e outras localidades na região.

Os índios, antes de dar nomes aos lugares, se reuniam para tomar a decisão, tendo como princípio a realidade física. Por isso, os nomes escolhidos também serviam como instrução, já que eles eram nômades e chamaram de “Taió” está numa região extensa de pedras soltas. Era um aviso. Uma advertência de perigo.

Quem conhece a região dos paredões de pedras de Passo Manso, consegue entender melhor esse perigo e não têm dúvidas de que os índios estavam certos. Na localidade da Tifa Pichincha existe um cocuruto de pedra, “desgarrado” do paredão rochoso.  Para subir no cume do lugar conhecido como “Cucuruco da Pechincha” é preciso percorrer uma longa trilha, íngreme, cheia de pedras soltas. Não há terra dentro da mata, parece que a floresta cresceu brotando de pedras.

É preciso ter cuidado, pois a rocha calcária se desprende do paredão com facilidade. Também é comum ouvir estrondos rompendo o silêncio do lugar e propagando o barulho por toda região. É quando grandes blocos de pedras caem do paredão. Essa mesma formação rochosa pode ser observada nas localidades de Ribeirão das Pedras, Tifa Marreca, Ribeirão Encano, Cachoeira, Bela Vista, Tifa Marchetti, Pacheco, Moro Redondo, Serra dos Kraemer, Ribeirão do Salto e em outros pontos do município de Taió e região.

Quando passamos pela rodovia BR-470 (entre Pouso Redondo e Curitibanos), também somos alertados pela sinalização do perigo das pedras soltas que caem ao lado da pista. São as mesmas formações rochosas que estão no entorno do município de Taió. Abaixo, um vídeo produzido pelo Taioense Edivan Guski, mostra detalhes desta constatação.

TEXTO: Alexandre Salvador