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Publicado há 16:51 | Atualizado em 14/02/18 às 10:02

Pai diz que filho foi roubado de Creche em Taió

A história começou com algumas postagens no Facebook de Vilson Leite, que escreveu que seu filho havia sido “roubado” pelo Conselho Tutelar em uma Creche em Taió. O fato teria acontecido na quinta-feira, 08/02, no Centro de Educação Infantil Padre Eduardo, na  Vila Mariana, onde o menino de um ano e cinco meses frequentava. Vilson, também conhecido como Vilseira, foi além, insinuou que a criança poderia estar a venda.

“O pior que você sai para trabalhar feliz porque seu filho ficou na creche bem cuidado, mas mal sabe você, que enquanto isso, estão sequestrando crianças sabe lá pra que!!!??? As vezes até venderam ele para tirar órgãos pra vender…” escreveu. 

Amigos se solidarizaram com as mensagens e fotografias da criança postadas por Vilson. “O pai foi na assistência social pra pedir uma ajuda porque ele tinha começado a trabalhar naquela semana,  em vez de eles ajudar, eles tiraram a criança dele que cuidava como ninguém. Teve com a criança desde recém nascido quando a criança foi internada com problemas de saúde o pai ficou noite e dia com a criança na UTI“, relatou Regiane Ester Claudino, amiga de Vilson.

O fato poderia ter ficado restrito à rede social, mas  Vilson resolveu procurar a Rádio Educadora, 90,3 FM, que o entrevistou na manhã desta segunda-feira, 12/02.  Sob o título: “Pai que mora em Taió procura desesperadamente seu filho”, a entrevista foi ao ar e foi replicada nas redes sociais e em grupos de WhatsApp. Nossa reportagem apurou que emissora foi procurada pelo Conselho Tutelar para que a mesma não reproduzisse a entrevista com o pai, porque a história não era bem assim.

Vilson também divulgou um ofício, com data de setembro de 2017, onde o Conselho Tutelar de Salete, “autoriza” ele a ficar com o filho até o fim da tramitação da guarda do menor. O documento, também diz que pai deveria prestar assistência material e moral e se comprometeu a prestar informações ao Conselho. Ele também assinou o documento que o obriga a proteger a criança de todo e qualquer constrangimento ou violência psicológica.

O pai também foi orientado a fazer um tratamento psicológico e o filho deveria fazer um tratamento para curar uma infecção na pele. Mas o mesmo não vinha cumprindo com esses compromissos, por isso o pai optou em mudar de cidade, porque o “conselho estava incomodando”. No início deste ano, a pedido da Assistência Social do Município de Taió, o Conselho Tutelar fez visitas ao local onde pai e filho residem, na Vila Mariana.

Nessas averiguações, são observados a rotina da criança, se a mesma está nutrida, se desenvolvendo de acordo com os padrões do MS,  se há alimentos na casa e condições mínimas de higiene. Com as informações adicionais repassadas pelo Conselho Tutelar de Salete, o Colegiado decidiu, como medida de proteção, fazer o acolhimento institucional emergencial da criança.

Após o acolhimento da criança pelo Conselho Tutelar, o Ministério Público foi devidamente informado e o Juiz de Direito da Comarca de Taió homologou a medida realizada pelo Conselho. O acolhimento da criança foi realizado na Centro de Educação Infantil para evitar a possível reação violenta do pai, que poderia colocar a criança em risco. Tanto o Conselho quanto a direção da Creche avisaram o pai da situação.

Pai não registrou BO

No início da tarde, em contato com a Polícia Militar de Taió, confirmou não haver nenhum registro, ou Boletim de Ocorrência (BO) de criança desaparecida ou sequestrada na cidade.  O pai foi indagado pela reportagem do OBV, o porque não registrou um BO sobre o desaparecimento da criança.

“Não adianta. Foi o Concelho que foi na creche o roubou enquanto eu trabalhava, e a polícia é estúpida comigo. Manda eu ir no Concelho, mas todos se escondem”, disse Vilson. Ele também disse que não foi informado pelo Conselho, sobre o acolhimento. “Mas me roubaram e não me falam dada”,

Averiguamos que Vilson possui no histórico, alguns  Termos Circunstanciado (TC), como lesão corporal dolosa, maus tratos, violência doméstica, inclusive Maria da Penha. Entre as vítimas das ameças de Vilson, estaria a mãe do menino, um dos motivos pelo qual,  ela teria deixado a criança com o pai.

O outro lado

 O Conselho Tutelar de Taió preferiu não se manifestar no primeiro momento, já que o assunto é sigiloso e envolve menor de idade. Mais tarde, divulgou uma nota de esclarecimento que segue:

Como dispõe o artigo 131 do Estatuto da Criança e do Adolescente, o Conselho Tutelar é um órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da Criança e do Adolescente.

 Cientes da repercussão que está sendo feita nas redes sociais e meios de comunicação afirmamos que as informações repassadas tratam-se de inverdades e o Conselho Tutelar não irá se manifestar sobre o caso. Este órgão trabalha em regime de sigilo, o qual é muito importante, não expõe os casos e muito menos as crianças/adolescentes e as famílias atendidas.

Zelamos pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente e não dos pais ou responsáveis. Somente agimos diante de nossas atribuições e respaldados pela lei federal que nos rege. O CEI, neste caso não poderia fazer nada para embaraçar o trabalho do Conselho Tutelar, fato que configura crime tipificado no art. 236 do Estatuto da criança e do adolescente, os profissionais dessas instituições são competentes e qualificados. Jamais entregariam as crianças a qualquer pessoa, não há necessidade da preocupação da população.

O Conselho Tutelar de Taió agiu dentro da legalidade e tomou as providências necessárias.  Prezando o bem estar da Criança e do Adolescente alertamos a população que não compartilhem notícias sobre o caso. Evitando assim maior exposição da criança.