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Publicado há 11:22 | Atualizado em 11/01/18 às 11:01

Xoklengs acreditam que professor foi assassinado por matador de aluguel

Líderes Xoklengs de José Boiteux  acreditam que o educador, Marcondes Namblá  foi assassinado por matador de aluguel e recusam versão da polícia. Uma reportagem do Jornalistas Livres,  diz que os caciques  exigem que o Ministério Público Federal investigue por que a ordem de prisão preventiva contra o acusado não foi cumprida assim que expedida, no dia 3 de janeiro. Assim, argumentam, deu tempo para que o criminoso fugisse. E ainda indagam por que Gilmar César de Lima estava solto, se havia um mandado de prisão anterior por tentativa de homicídio envolvendo tráfico de drogas, além de outras denúncias de crimes de furto e espancamento de mulher contra ele não apuradas.

Segundo a reportagem, eles consideram inexplicável o fato de ele não ter sido capturado ainda, uma vez que o seu local de moradia foi facilmente localizado a duas quadras do crime por uma testemunha. O cacique presidente considera que o delegado da Polícia Civil, Glauco Teixeira Barroco, foi racista ao declarar para os jornais locais que a polícia havia passado em ronda pelo local onde Marcondes agonizava, mas não o socorreu porque parecia um bêbado.

Com isso, Marcondes ficou jogado na calçada, sem nenhum tipo de atendimento, das 5:18 da manhã até as 8 horas. Por fim, as lideranças apontam ainda a necessidade de averiguar a ocorrência de omissão cúmplice por parte das testemunhas porque ficou evidente nos depoimentos que elas assistiram ao massacre do indígena sem fazer nada para deter o assassino, que deu de costas e voltou a espancar o professor ao perceber que ele ainda vivia. Baseados nessas circunstâncias não explicadas, consideram racismo também o fato de o delegado desautorizar, sem a devida fundamentação, que não se trata de crime racista.

Isso não é tudo: a comunidade Xokleng em peso alimenta a forte suspeita de que o jovem identificado como réu não era apenas um psicopata ou um delinquente que agiu sozinho. “Ele é um pistoleiro que tem tudo para ser autor de um crime encomendado”, acredita o professor Nanblá Gakran, primo de Marcondes.

Nesta quarta-feira, 10/01, professores-estudantes e índios fizeram um protesto no local do crime, na avenida Eugênio Krause, no município de Penha, onde o juiz da terra indígena Laklãnõ Xokleng foi morto a pauladas na madrugada do Réveillon. Eles também lembraram  outros episódios recentes de violência e agressão aos povos indígenas de Santa Catarina, reunindo três etnias: Guarani, Kaingangue e Xokleng. Os líderes espirituais fizeram uma cerimônia ritualística fúnebre para que o alma de Namblá retorne a sua aldeia e seu espírito siga em paz.

“Esse lugar agora é sagrado porque ali foi derramado sangue do povo Xokleng”, explica o professor Gakran. Marcondes aproveitava a temporada de praia em Penha para vender picolé com uma turma de dez amigos indígenas. Aprovado em concurso público recente, ele ainda atuava como professor Admitido em Caráter Temporário da rede pública estadual, que não remunera o período de férias. Segundo a esposa Cleusa, Namblá, pretendia ganhar um extra para comemorar o aniversário do filho.