Viacredi
Publicado há 2 meses atrás | Atualizado em 18/07/17 às 09:07

Futuro político de Nelson Goetten está distante do PP

Encontro de Nelson com o prefeito Almir Guski no gabinete.

Se depender do Partido Progressista de Taió, Nelson Goetten de Lima, não terá novo espaço no PP.  Embora haja rumores de que possa pedir filiação no PP, nos bastidores é sabido que Goetten deve se filiar mesmo no PSDB de Taió, pois já esteve com o partido na aliança com o PMDB e PSC, na eleição municipal de 2016. O ex-deputado foi um dos principais articuladores da eleição do atual prefeito de Taió, Almir Guski, por isso, sua ida ao ninho tucano é questão de tempo e se optar pelo PP encontrará resistência. No pleito municipal, o PP esteve coligado com o PSD e PR, justamente os três partidos políticos em que Nelson Goetten esteve filiado e que ele “trabalhou contra”.  

Em 2016 lançou um livro em que relata seus pensamentos e fez a divulgação de casa em casa. Os ex-correlegionários dizem que Goetten usou o livro como pretexto para fazer centenas de reuniões em Taió durante o período eleitoral, porque sempre esteve acompanhado de algum integrante do PSDB ou de algum candidato a vereador tucano.  

O ex-parlamentar também utilizou uma página no Facebook e um programa semanal na Rádio Educadora para falar sobre candidaturas e coligações. Durante a campanha do ano passado, Goetten opinava sempre favoravelmente à candidatura da coligação que era adversária do PP. Essa atitude também ainda não foi digerida por membros da executiva e filiados. Por fim, articulou a ascensão de Tiago Maestri à presidência da Câmara em Taió, passando de opositor a governista. 

O Vereador Jair Alberto das Neves, o Jinho, já adiantou na Tribuna da Câmara, que no PP de Taió não há espaço para Nelson Goetten, ele usou a Tribuna Livre da Câmara para se manifesta. “O partido vive um bom momento em Taió e não aceitará oportunistas que venham com intenção apenas de prejudicar o diretório”. Em entrevista concedida à Rádio Taió FM (87,9) o presidente municipal do PP, José Gilmar Nasatto, disse não acreditar que Goetten de fato, quer vir para o Partido Progressista.

“O partido segue um projeto de reestruturação em Taió e no Alto Vale, onde Nelson fez história”, Nasatto lembrou que o PP chegou a ter 12 prefeitos na região e que Goetten se elegeu deputado com os votos dos progressistas, mas mudou de lado depois disso e o  partido ficou desguarnecido. O fato se repetiu nas eleições municipais de 2016, onde o ex- líder apoiou o projeto contrário do Partido Progressistas.

Ouça o áudios>

Quando prefeito de Taió

Agricultor, motorista e empresário industrial, Nelson Goetten de Lima, iniciou sua carreira política em 1988 ao filiar-se ao Partido Democrático Social (PDS) e disputar a eleição para vereador de Taió (SC). Eleito, no exercício do mandato presidiu a Câmara dos Vereadores de 1989 a 1990. No pleito municipal de outubro de 1992, foi eleito prefeito de Taió na legenda do PDS. Em seguida, filiou-se ao Partido Progressista Reformador (PPR), resultado da fusão do PDS com o Partido Democrata Cristão (PDC) em abril de 1993. Mudou novamente de agremiação em 1995 quando o PPR se fundiu com o Partido Progressista (PP) e o Partido Republicano Progressista (PRP), dando origem ao Partido Progressista Brasileiro (PPB).


Na eleição de outubro de 1998, elegeu-se deputado estadual em Santa Catarina na legenda do PPB. Empossado em seu novo mandato, ocupou a vice-liderança do partido na Assembleia Legislativa. Foi reeleito no pleito de outubro de 2002 e, nesse mesmo ano, desligou-se do PPB e filiou-se ao Partido da Frente Liberal (PFL). Foi um dos percussores da tríplice aliança que elegeu Luiz Henrique (PMDB) para o segundo mandato de governador.

Com LHS


Nas eleições de outubro de 2006 foi eleito deputado federal por Santa Catarina na legenda pefelista. Ao assumir o mandato em fevereiro do ano seguinte, desligou-se do PFL ingressando no Partido Liberal (PL) e, posteriormente, filiou-se ao Partido da República (PR). Na Câmara, participou como titular das comissões permanentes da Defesa do Consumidor e de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio. Foi presidente Estadual do Partido da República e tinha grande prestígio no Palácio do Planalto pela habilidade nas negociações políticas. Em Brasília, se manteve defensor do governo Petista e teve como missão organizar um único palanque para Dilma Russeff em Santa Catarina nas eleições de 2010. Mas com a prisão de Goetten e a grande exposição do caso na imprensa, o partido estava prestes a ruir no estado e principalmente no Alto Vale, seu reduto eleitoral. Lideranças nacionais de outros estados, exigiram da executiva nacional a expulsão do ex-deputado, que ocorreu ainda em 2011.

Em 30 de maio de 2011, Nelson Goetten foi preso em uma ação da Polícia Civil de Santa Catarina, por suspeita de estupro e favorecimento à prostituição de vulnerável. O presidente estadual do PR na época foi encaminhado para a Unidade Prisional Avançada (UPA) de Itapema onde permaneceu preso. Foi julgado e condenado  a 35 anos de prisão em regime fechado pela Justiça. A decisão ocorreu em primeira instância, na comarca de Itapema, onde teriam ocorrido os crimes. O caso correu em segredo de justiça porque as vítimas apontadas na investigação tinham menos de 18 anos na época dos supostos crimes, mas os áudios do inquérito foram vazados para a imprensa. A investigação do caso foi feita pelo Delegado Renato Hendges da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (DEIC).

Depois de três anos preso, em maio de 2014, o Supremo Tribunal Federal (STF) oficiou o  Superior Tribunal de Justiça (STJ) para que determinasse a soltura de Goetten. As provas juntadas ao processo contra o ex-parlamentar foram consideradas ilegais, por terem sido obtidas sem autorização da Justiça. A reclamação foi feita pelo ministro do STF Dias Toffoli. A decisão pela liberdade do ex-parlamentar foi unânime. A defesa de Goetten apresentou irregularidades na tramitação do processo e dos desdobramentos após a condenação. A Constituição Federal prevê que a investigação dos crimes eventualmente praticados por parlamentares federais têm que ter autorização do STF.  

A pena inicial de 35 anos de reclusão foi reformada para 28 anos na segunda instância.  Houve recurso para o Supremo Tribunal Federal e para o Superior Tribunal de Justiça, no qual a defesa questionava a forma como foi executada a investigação policial, pois o réu tinha foro privilegiado.

OUTRAS CONDENAÇÕES   

Quando foi preso

 Nelson Goetten não terá vida fácil no seu retorno à política, pois sofre uma ação civil de improbidade administrativa na Capital, onde o Ministério Público pede o ressarcimento aos cofres públicos de nada menos que R$ 3 milhões do ex-deputado. Os valores atualizados hoje superam R$ 13 milhões de reais e MPSC também pede a cassação de seus direitos políticos. Neste processo o Ministério Público Estadual acusa Nelson Goetten de ter usado nos anos de 2005 e 2006 dinheiro do Fundo Social no Projeto Conhecendo Santa Catarina, com desvio de finalidade e uso dos recursos para promoção pessoal e enriquecimento ilícito.

Por conta destes mesmos fatos o ex-deputado já foi condenado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), o que o levou a ingressar com ação na justiça para anular a decisão do TCE que foi julgada improcedente em primeiro grau na Vara da Fazenda Pública da Capital. O ex-deputado interpôs recurso da sentença que ainda não foi apreciada pelo Tribunal de Justiça. O ex-parlamentar também é lembrado por sua prisão em 30 de maio de 2011, por conta de acusação de estupro de vulnerável e exploração sexual. Ele foi condenado em março de 2012 a 35 anos de prisão, mas foi liberado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) devido a forma como a investigação foi realizada, visto que o mesmo possuía na época, foro privilegiado.​

No entanto, em entrevistas e mesmo no livro que escreveu,  Goetten costuma dizer que foi inocentado e até mesmo ingressou com ação indenizatória pedindo que o Estado lhe pague algo em torno de 10 milhões de dano moral. A justiça de Santa Catarina não  aceitou a denúncia, mas ele recorreu.

Lançamento do seu livro

Na tribuna da ALESC